Cidade para todas as pessoas

06.07.18

Hoje é 04 de abril de 2018, há aproximadamente 20 dias, foi assassinada a vereadora Marielle Franco, do PSOL, no Rio de Janeiro. Ela representava uma população que vive, ou melhor, não vive a cidade e seus espaços públicos em sua plenitude.

Marielle ficou em meus pensamentos, e, lendo sobre ela, encontrei o último texto que escreveu, para o Jornal do Brasil, no qual em um trecho diz que “segurança pública não se faz com mais armas. Mas com políticas públicas em todos os âmbitos. Na saúde, educação, cultura e geração de empregos e renda”. Imediatamente me lembrei de um texto que escrevi há algum tempo atrás, cujo título é “Cidade para pessoas”.

O referido texto foi escrito baseado nas ideias do arquiteto e urbanista dinamarquês Jan Gehl, que defende que precisamos primeiro pensar nas pessoas para pensar a cidade. Jan Gehl diz que “primeiro vida, depois   espaços, depois edifícios — o contrário nunca funciona”. Percebi que as ideias de Jan e Marielle, que viveram realidades diferentes, partem do mesmo ponto: as pessoas. Para que o design e o planejamento funcionem e criem cidades onde as pessoas possam viver o espaço plenamente, é necessário que o básico seja garantido para todos, no âmbito individual e coletivo.  Assim, pessoas com acesso a saúde, educação, cultura e emprego desejarão ocupar os espaços públicos e trazer vida para as ruas das nossas cidades.

No momento, não desejo escrever muito mais, só quero terminar reproduzindo a conclusão do texto anterior acrescentando as palavras de Marielle, pois acredito que,  dentro da realidade brasileira, a partir do momento “que políticas públicas comecem a ser implementadas em todos os âmbitos, na saúde, educação, cultura e geração de empregos e renda” e que nós, pessoas, comerçarmos a ocupar os espaços entre as edificações, as diferenças e a intolerância tenderão a diminuir, afinal teremos as mesmas chances, viveremos os mesmos espaços, contemplaremos as mesmas belezas e feiuras, ouviremos os mesmos sons, conviveremos com diferenças, exigiremos os mesmos direitos, experimentaremos os mesmos deveres e, no final do dia, perceberemos que somos todos iguais.

 

 

Patrícia Paegle

Arquiteta Paisagista e sócia do escritório Casa Forte Arquitetura Paisagística

 

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